Ciência, Técnica e Tecnologia

O que é ciência?

 “(…) sugiro que a pergunta que constitui o título desse livro (“O que é ciência, afinal?”) é enganosa e arrogante. Ela supõe que exista uma única categoria “ciência” e implica que várias áreas do conhecimento, a física, a biologia, a história, a sociologia e assim por diante se encaixam ou não nessa categoria. Não sei como se poderia estabelecer ou defender uma caracterização tão geral da ciência. Os filósofos não têm recursos que os habilitem a legislar a respeito dos critérios que precisam ser satisfeitos para que uma área do conhecimento seja considerada aceitável ou “científica”. Cada área do conhecimento pode ser analisada por aquilo que é.” [1]

 “Diremos, para nossos propósitos, que ciência é um conhecimento crítico generalizante, (…), que busca entender o mundo em que vivemos (incluindo o próprio homem), ou seja, a realidade, em qualquer nível.” [2]

Como podemos ver, não existe uma definição absoluta para a palavra “ciência”. Contudo, de acordo com o autor Gildo Magalhães, podemos tentar explicar “ciência” como “um conhecimento crítico generalizante.”

E o que isso significa?

Dizer que a ciência é um conhecimento crítico, é o mesmo que dizer que a ciência é um saber problematizante em constante transformação, ou seja, um saber que indaga, questiona, reflete sobre a veracidade ou falseabilidade de tudo, não aceitando, assim, conhecimentos que se baseiam em “crenças não-verificáveis nem argumentáveis”[3]. E, por fim, dizer que a ciência é um conhecimento generalizante, nada mais é do que afirmar que a ciência constitui-se por um saber que busca a elaboração de leis universais, ou seja, leis que são válidas para os mais diversos casos e aceitas pela maior parte da sociedade.

O que é técnica? O que é tecnologia?

“Técnica vem da palavra grega techné, que significa “prática”, ou seja, saber fazer algo de acordo com um conjunto de instruções ou regras (…).

Diremos, então, que técnica é um conhecimento eminentemente prático, equivalente ao saber fazer, podendo ser uma ligação da razão com a experiência (…).

Além disso, o adjetivo “prático” não dever ser confundido com “manual” ou “sensorial”, já que podemos falar de uma técnica mental como a de fazer cálculos de cabeça ou de leitura dinâmica”. [4]

Quanto à tecnologia, esta é etimologicamente a ciência de alguma técnica particular (…).” [4]

De forma geral, podemos dizer que a palavra técnica “compreende qualquer conjunto de regras aptas a dirigir eficazmente uma atividade qualquer.” [5] Mas, como um tipo específico, dizemos que esse termo refere-se ao conjunto das regras que dirigem atividades que dizem respeito “ao comportamento do homem em relação à natureza e visam à produção de bens.”

Já a palavra tecnologia pode ser empregada, basicamente, de duas formas distintas: como um sinônimo de técnica ou, ainda, como o “estudo dos processos técnicos de determinado ramo da produção industrial ou de vários ramos.” [5]

O Fetichismo da Tecnologia

A técnica sempre acompanhou a vida do homem sobre a terra, sendo o homem – como já notava Platão – o animal mais indefeso e inerme de toda criação. Portanto, para que qualquer grupo humano sobreviva, é indispensável certo grau de desenvolvimento da técnica, e a sobrevivência e o bem-estar de grupos humanos cada vez maiores são condicionados pelo desenvolvimento dos meios técnicos.” [5]

técnica      tecc2

tec         tec3

tecc3

A história do desenvolvimento humano ao longo do tempo mostra, explicitamente, a constante evolução das técnicas por ele criadas.

Como percebemos, o ser humano é capaz de suprir todas as suas necessidades através das diversas técnicas que ele desenvolve e aperfeiçoa no decorrer do tempo. Quanto mais o homem realiza esse processo, mais ele descobre a natureza do mundo em que vive, e mais ele cria formas de transformar os recursos naturais em objetos, ferramentas que auxiliam na sua sobrevivência.

Contudo, apesar de sabermos que esse processo de aperfeiçoamento das técnicas humanas sempre existiu, também sabemos que quanto mais o tempo passa, mais acelerado ele se torna. Com o início da revolução industrial, por volta do fim do século XVIII, e, simultaneamente, com a consolidação do modo de produção capitalista, passamos a viver em uma sociedade onde as mudanças tecnológicas revolucionárias são a regra desde então.

Não somente isso, mas também podemos ver claramente que, na sociedade ocidental moderna, o pleno domínio das técnicas e tecnologias, assim como a incessante aquisição dos bens materiais por elas produzidos são os ideais buscados. De forma que, hoje, a tecnologia é uma espécie de ‘fetiche’ para a sociedade em geral.

REFERÊNCIAS:

[1] CHALMERS, Alan F. O que é ciência afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993, ed. 1, p. 210

[2] MAGALHÃES, Gildo. Introdução à metodologia da pesquisa: caminhos da ciência e tecnologia. São Paulo: Ática, 2005, ed. 1, p. 88

[3] MAGALHÃES, Gildo. Introdução à metodologia da pesquisa: caminhos da ciência e tecnologia. São Paulo: Ática, 2005, ed. 1, p. 45

[4] MAGALHÃES, Gildo. Introdução à metodologia da pesquisa: caminhos da ciência e tecnologia. São Paulo: Ática, 2005, ed. 1, p. 92 [4]

[5] ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2007, ed. 5, p. 940.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s